Festival Duas Rodas uma experiência única de Teste Ride

Texto: Guilherme Foster | Fotos: Kadu Pinheiro

Todo amante de velocidade sonha em um dia pilotar no autódromo de Interlagos, em São Paulo. Os participantes do Festival Duas Rodas, que aconteceu entre os dias 29/08 e 01/09, tiveram a oportunidade de realizar esse sonho pilotando diversas motos nesse verdadeiro templo da velocidade brasileira.

As principais montadoras do Brasil, como Ducati, Harley Davidson, Triumph, BMW, Dafra, KTM, Honda e Yamaha, estavam presentes. Portanto, não faltaram opções de motos sensacionais para todos os gostos, o que possibilitou aos participantes a real sensação do que é pilotar em um autódromo em que diversos de seus ídolos fizeram o mesmo! Havia lojas vendendo diversos itens relacionados ao mundo duas rodas, desde um óleo para o motor até um macacão para a pista.

O pessoal do Força e Ação também marcou presença com suas manobras radicais e aconteceram algumas apresentações diárias do astro do FMX Fred Kyrillos.

Foram vendidos diferentes tipos de pacotes, desde o mais básico, com apenas visita ao evento, até o mais completo, incluindo uma experiência única com um piloto profissional. Como eu queria muito pilotar uma moto nesse circuito, escolhi a opção “Ride Pass”, em que eu pilotaria as motos de minha escolha no autódromo. Optei pela Ducati Monster 1200, BMW R 1250 GS, Harley Davidson Road Glide CVO e a Ducati Panigale 959. Falarei com mais detalhes sobre cada uma delas um pouco mais à frente.

Os test-rides foram todos guiados por pilotos instrutores da Motors Company. Assim, ficou mais fácil pilotar no traçado correto e também saber com exatidão os pontos de frenagem e aceleração, tornando a experiência muito mais segura e divertida. As montadoras também aproveitaram o evento para realizar ações especiais. A Ducati, por exemplo, realizou no sábado uma ação exclusiva para mulheres. “Quatorze mulheres motociclistas estiveram lá conosco em Interlagos e puderam experimentar as motocicletas Ducati nesse templo do automobilismo. Foi algo sensacional”, diz Diego Borghi, CEO da Ducati do Brasil (@ducatibrasil).

Bruna Wladyka

A fundadora do movimento “Elas Pilotam” (@elaspilotam), Bruna Wladyka (@brunawladyka) que participou da ação, conta um pouco mais como foi a experiência de pilotar uma moto no autódromo: “Andar em interlagos foi algo surreal! Eu escolhi uma Scrambler porque é mais próxima ao meu estilo me sentindo mais confortável. Eu nunca andei em interlagos então confesso que eu tive um pouco de receio em pilotar um modelo que eu não estou muito acostumada. Mas foi simplesmente incrível, uma experiência única! Eu até brinquei que tinha que andar mais vezes, pois na primeira volta eu estava com medo e felicidade ao mesmo tempo, foi meio doido. Na segunda volta eu estava mais tranquila e brinquei, vamos na montanha russa, pois foi essa a sensação que eu tive. Foi muito incrível essa experiência! Eu entendo que o evento é voltado ao teste ride então é um momento onde os apaixonados por motos têm essa oportunidade de andar numa grande pista, uma das mais conhecidas. Aproveitando os modelos de moto que as vezes a gente nem pensa em ter por diversos motivos. Então foi algo realmente surreal para mim. Eu fiquei muito feliz pois além de ter essa experiência pessoal com uma moto que eu não havia pilotado, também fiquei muito feliz com a preocupação e o respeito que a Ducati teve com as mulheres! Pois é algo que temos defendido bastante com o movimento elas pilotam”. (Ouça a entrevista em sua íntegra no podcast disponível )

Para aqueles que procuravam uma dose extra de diversão, era possível comprar um pacote que incluía também um curso de pilotagem e uma volta em uma Ducati Panigale preparada para levar garupa. O design da moto é muito interessante e voltado para proporcionar essa experiência: conta até com um guidão no tanque para a garupa se apoiar sem atrapalhar o piloto. No controle da máquina estava ninguém menos do que Leandro Mello. Portanto, além de uma injeção de adrenalina, o sortudo ainda pôde aprender muito com um dos melhores pilotos do país!

Rafael Togni

Infelizmente, eu não tive está experiência, mas o Rafael Togni (@rafaeltogni) do Canal 4 Canecos embarcou nessa e nos conta um pouco mais sobre seu aprendizado: “Eu fiquei prestando muita atenção do jeito que ele entrava nas curvas, principalmente no “S do Senna” que é uma curva muito difícil de fazer pois é em descida. O Leandro ele entra muito confiante na curva e ele consegue frear a moto dentro da curva, isso é uma coisa impressionante de ver”. Continua: “O Leandro Melo é uma pessoa muito humilde, gente fina, ele te explica tudo que ele está fazendo, o jeito que entra em curva, o jeito que sai de curva e o comportamento da moto. Então, ele quer realmente melhorar a sua forma de pilotar com você na garupa dele. Ele vai mostrando tudo que ele está fazendo para você ver como é, e depois poder aplicar”. Como não podia faltar, ele conta também um pouco de sua experiência na garupa da Panigale V4: “É impressionante a capacidade dessa moto de acelerar, o zero a cem, zero a duzentos dela é impressionante! Mas a capacidade de frenagem dela consegue superar ainda mais isso. Entrando no miolo do circuito de interlagos a gente pegou um pouco de trânsito pois havian outras pessoas fazendo teste ride, o Leandro passou todo mundo por fora, acelerando de um jeito que parecia que as outras motos estavam paradas. Nessa hora só conseguia gritar e rir ao mesmo tempo, sem saber o que estava sentindo na hora. Era uma adrenalina gigantesca no corpo, é uma sensação muito boa, melhor do que andar em montanha russa”. (Vale a pena ouvir o relato em sua íntegra no podcast disponível para sentir ainda mais como é a experiência).

Além dos test-rides, todas as montadoras tinham um estande no qual estavam expostos os modelos atuais e os lançamentos. Por falar em novidades, algumas chamaram bastante a atenção. A Harley Davidson desvendou para o público a Low Rider S, uma softail com motor 114 e aspectos mais voltados para a performance, que promete fazer barulho no mercado custom.

A Ducati lançou a Panigale V4S, uma moto que traz a tecnologia da MotoGP para as ruas. Fora as atrações motociclísticas, o evento contou também com um show do Capital Inicial no Sábado e do Call the Police no domingo.

Espaço da Ducati:

No último dia do festival, tive a oportunidade de dar uma volta com minha própria moto no circuito. Pilotar as outras máquinas em Interlagos foi uma experiência inesquecível, porém, conduzir a minha moto no autódromo histórico foi a cereja do bolo para finalizar uma sequência de dias tão especiais.

Interlagos com a Dyna:

Particularmente, gostei muito do evento! Além de ter a oportunidade de pilotar no ícone da velocidade brasileira, acredito que seja interessante para todas as montadoras, pois proporciona uma experiência real para clientes e possíveis compradores experimentarem as motos na pista.

Diego Borghi

Diego Borghi fortalece ainda mais essa visão: “Sem dúvida nenhuma, foi um marco na história da nossa marca aqui no brasil. Um festival que une experiência via test-rides e exposição dos produtos. Dessa forma, a gente conseguiu ampliar a interação com todos os nossos clientes, fãs e entusiastas da marca, bem como com futuros e possíveis clientes Ducati. Só para se ter uma ideia, foram mais de dois mil test-rides com motocicletas Ducati durante os quatro dias de evento” (Ouça a entrevista em sua íntegra no podcast disponível ). Espero que o evento continue evoluindo em suas próximas edições, proporcionando ainda mais experiências únicas para os amantes de duas rodas do Brasil.

Motos que pilotei:

Ducati Monster 1200 – a convite da Ducati, fui ao festival no primeiro dia e pilotei essa máquina. Uma moto que reúne todas as características de uma naked tradicional, porém com a tecnologia que a Ducati sempre oferece. Pude testar o Ducati Wheelie Control (DWC), um dispositivo de segurança que impede a moto de empinar em acelerações mais bruscas, tecnologia mais do que necessária quando falamos de uma moto com 152 cavalos e que pesa apenas 185 kg (seco). Sem a opção, a moto provavelmente iria empinar nas saídas de curvas, principalmente. A máquina é compacta, muito fácil e divertida de pilotar, mas ao mesmo tempo não deixa nada a desejar em performance. Ótima combinação para o autódromo de Interlagos, que traz grande variação de traçado, com subidas, descidas, curvas de alta e baixa e algumas retas em que é possível testar a velocidade pra valer!

BMW R 1250 GS – upgrade da já consagrada GS 1200, o novo modelo traz ainda mais tecnologia embarcada do que sua antecessora. Confirmei o fato ao testar o quick shifter e o sistema de ABS nas curvas. O primeiro funciona muito bem – basta manter a moto acima de 5.000 giros e subir as marchas gradativamente que o motor vai abrindo cada vez mais. Quanto ao sistema de ABS, foi o que mais me surpreendeu. Estou bem acostumado a utilizar o mínimo de freio em curvas, porém, com essa moto, realmente “alicatei” o freio da frente em diversos tipos de curvas diferentes. Para minha surpresa, a moto não mudava para uma posição mais vertical, como é esperado em máquinas sem essa tecnologia, mas, sim, mantinha o traçado somente diminuindo a velocidade. Trata-se de um ponto muito importante em situações de emergência em trechos sinuosos.

Harley Davidson Road Glide CVO – modelo mais completo da Road Glide, não apenas com todos os acessórios decorativos possíveis, mas também voltado para uma maior performance. Consegui até parear meu telefone enquanto esperava o instrutor. Assim, pilotei ouvindo minhas músicas favoritas. Estamos falando de um modelo que é voltado para a estrada e viagens longas, logo, pilotar a moto em um circuito de corrida parece ser um contrassenso. A boa notícia é que ela não desapontou! Com um torque muito alto, produzido pelo motor 117 (1917 cilindradas), a aceleração e retomadas são seus pontos altos. Nas curvas, foi, evidentemente, complicado acompanhar as esportivas. Mas sua capacidade nesse quesito realmente me surpreendeu, tornando o test-ride extremamente divertido.

Ducati Panigale 959 – Deixei ela como a última pois queria ter uma noção melhor do circuito quando fosse pilotá-la. Moto que carrega em seu DNA a essência de uma Superbike, foi a mais potente que eu já tive o prazer de pilotar. Toda a tecnologia embarcada te deixa seguro em estar atrás do guidão desse monstro! Inicialmente, a posição de pilotagem da Panigale me deixou um pouco apreensivo devido à sua agressividade, porém, logo após a primeira curva, já percebi que isso não seria nenhum problema. Muito pelo contrário, principalmente nas curvas, essa posição de pilotagem me deixou muito mais seguro. No final do test-ride, não estava pronto para me despedir dessa máquina – foi a moto que combinou melhor com o autódromo e, no geral, a mais divertida de todas para pilotar.

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