Harley Davidson Fat Bob passa longe do tradicional

Texto e fotos: Gui Foster (@duasrodaspelomundo)

No final de 2017, a Harley Davidson fez uma mudança gigantesca em sua linha de motocicletas. Toda a família Dyna foi extinta e o consagrado motor Twin Cam deu lugar à nova plataforma Milwaukee Eight. Concomitantemente, o quadro da linha Softail também sofreu alterações significativas, melhorando o conforto e a ciclística das motos.

Mesmo com todas essas transformações, os novos modelos mantiveram o design clássico associado a uma Harley Davidson. A exceção que comprava a regra foi a nova Fat Bob, lançada com um estilo diferente daquele que estávamos acostumados. A semelhança com o modelo anterior, da família Dyna, acaba no nome e nos pneus largos.

No início, os mais puristas mostraram certa resistência a esse modelo mais arrojado. Confesso que eu mesmo fiquei receoso. Afinal, tenho uma Dyna e essa descontinuação mexeu comigo. Achei melhor esperar para ver a moto ao vivo para não tirar conclusões precipitadas. No Salão Duas Rodas de 2017, finalmente tive o primeiro contato com a nova Fat Bob Softail. Depois de analisar a moto com calma, posso dizer que, sem dúvida alguma, minha percepção mudou bastante.

Pulamos agora para 2021, quando tive a oportunidade de testar essa máquina. Agora sim, tendo rodado bastante com ela, posso passar todas minhas impressões de maneira racional. Para começar, trata-se de um modelo da Harley que queria pilotar faz tempo devido à fama de possuir uma ciclística fenomenal e ser extremamente divertida nas curvas.

Não por acaso, meu test ride foi repleto de trechos sinuosos – desde a clássica Estrada dos Romeiros, ambiente de controle do canal duasrodaspelomundo, até o trecho muito divertido entre Morungaba e Serra Negra, em São Paulo. Como era de se esperar, a Fat Bob não decepcionou! Com o maior ângulo de inclinação de fábrica entre todas as Harleys disponíveis (28 graus), a moto nasceu para as curvas.

Os garfos invertidos e a suspensão traseira monoamortecida filtram muito bem o terreno, o que gera segurança ao piloto. Diferentemente da Fat Bob Dyna, que possuía um comando central extremamente avançado, a nova versão é mais balanceada – até fiquei com a perna dobrada. Pessoalmente, prefiro um comando central para me divertir ainda mais nas curvas, por conta da maior facilidade na troca de posição, o que melhora a performance nos trechos sinuosos. O lado positivo da nova versão é que, mesmo tendo pernas muito curtas, não tive problema algum na pilotagem.

Vale ressaltar que o assento fica a 71cm do chão, portanto um piloto com 1,70m não terá problema algum na pilotagem. O banco, a propósito, é mais um ponto positivo, pois seu formato proporciona bastante apoio às costas, gerando ótima segurança nas aceleradas. O sistema de freio duplo na frente funciona muito bem, parando com efetividade toda a potência produzida pelo motor de 1868 cilindradas. Se for levar garupa, veja minhas dicas na seção de customização para aumentar o conforto e a segurança.

Apesar de ser relativamente pesada, com 306 kg, a agilidade e ciclística tornam possível trafegar com relativa facilidade no trânsito pesado de São Paulo. Eu trocaria o guidão para melhorar ainda mais a pilotagem no corredor (mais detalhes na seção de customização). Na estrada, a Fat Bob não decepcionou. Minha opinião pessoal: não gosto de uma bolha. Mas, caso queira melhorar a proteção contra o vento, é uma opção válida. O único ponto de atenção é o tanque pequeno de 13,6L, com autonomia de aproximadamente 250km, que pode variar caso você goste de enrolar o cabo. Portanto, planeje suas paradas.

Como mencionado no início, o novo design fugiu do “tradicional” da montadora americana. As diferenças mais marcantes estão na barra de LED que ilumina o caminho no lugar do tradicional farol redondo, no tanque que foge do clássico estilo “gota” e no para-lama traseiro que deixa o pneu totalmente exposto. Apesar do estilo arrojado ser um problema para alguns puristas, o fato é que também atraiu pilotos de outros segmentos. Tenho alguns amigos que saíram do segmento naked/esportivo e escolheram a Fat Bob para curtir os passeios.

Customização

Por conta do meu estilo de pilotagem, a primeira personalização seria a troca do riser e do guidão. Escolheria a combinação de um riser de 10 polegadas e pullback juntamente com um guidão mais estreito. Com esses acessórios instalados, será possível transitar com mais facilidade no trânsito sem perder a ótima ciclística nas curvas. Recomendo o combo fabricado pela Dynamite Crew – @dynamite_crew (vendido na Ape Hangers Garage – @apehangersgarage). Para melhor o visual “clean” da moto, trocaria o suporte de placa por um fixado no para-lama, também feito pela Ape Hangers Garage.

Para complementar a potência do motor Milwaukee Eight 114, um sistema de escapamento 2 em 1 feito em aço inox é a melhor opção. Novamente, a Dynamite Crew possui uma ótima opção fabricada aqui no Brasil. Para finalizar as modificações de performance, trocaria o filtro de ar original por um esportivo da K&N. Como gosto da carcaça original, só tocaria o filtro propriamente dito. Ou então, para algo clássico, o kit da S&S é uma ótima opção.

Se rodar com garupa faz parte dos seus planos, é fundamental colocar um sissy bar! Afinal, essa máquina produz muito torque e o encosto vai funcionar tanto como um item de conforto como também de segurança, impedindo que a garupa escorregue nas aceleradas. Como se trata de um acessório destacável, quando estiver rodando solo, é possível retirá-lo com facilidade, mantendo o visual “clean”. Nas viagens longas, mesmo se estiver sozinho, o sissy bar acrescenta conforto ao piloto: basta colocar uma mala no banco da garupa, presa no sissy bar, para se ter um ótimo encosto.

Considerações finais

A Harley Davidson Fat Bob é uma máquina versátil e extremamente divertida. É possível se locomover no trânsito, se divertir nas curvas e realizar viagens com tranquilidade. O estilo foge do tradicional esperado da Harley Davidson, mas, ao mesmo tempo, atrai motociclistas de outros segmentos. Se você quiser passar despercebido, essa moto não é uma boa escolha, afinal, o design arrojado vai chamar atenção. Devido à potência, não recomendo a Fat Bob ao motociclista iniciante. Para realmente aproveitar todo o potencial, é necessário um pouco mais de experiência. Atualmente, o preço é de R$ 97.450. Já no sistema de compartilhamento da 4Ride – @4ridemotorcycle, uma cota sairá por cerca de R$ 28.000, sendo uma alternativa interessante para o motociclista que planeja utilizar a moto com menos frequência. Para falar com a 4Ride: https://wa.link/npwv23

Fat Bob
Gostei: Ciclística, agilidade e potência do motor.
Precisa melhorar: Posição e largura do guidão.
Em uma palavra: Divertida.

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