Texto: Gui Foster (@duasrodaspelomundo)| Fotos: Gui Foster e Kadu Pinheiro (@kadupinheiro_roadpics)

Um dos mais tradicionais eventos de Flat Track do mundo, o Flat Out Friday deste ano, que acontecerá no dia 13 de março, em Wisconsin (EUA), e faz parte do Mama Tried Weekend, terá a maior quantidade de representantes brasileiros da história: serão nove pilotos do País, entre eles uma mulher! Se você ainda não está familiarizado com a modalidade, uma das que mais crescem e despertam curiosidade por aqui, veja a matéria que escrevemos no começo de 2019.

Veja aqui a primeira matéria sobre Flat Track no Biker’s Life

O Flat Track que conhecemos no Brasil acontece em uma pista de terra. Porém, como em Wisconsin nesta época do ano a temperatura é muito baixa, não é possível realizar as corridas nesse tipo de terreno. Para superar essas dificuldades, Jeremy Prach, o criador do Flat Out Friday, foi atrás de arenas para realizar competições indoor. Depois de muita batalha, surgiu o Flat Out Friday!

Chrys Miranda competindo no Flat Out Friday em 2019

Diferentemente do Flat Track tradicional, a pista pensada por Prach é feita de concreto queimado. Tal superfície, por si só, não seria a ideal para a prática do esporte pois não proporciona a aderência necessária. A saída foi adicionar xarope de cola Dr. Pepper (é isso mesmo que você leu! Xarope do refrigerante Dr. Pepper!) para que os pneus realmente grudem no chão. Depois dessa “melhora” na pista, a superfície vira praticamente uma cola, tanto que os pilotos podem realmente deitar suas motos a ponto de raspar a primária no chão. Nessas condições, a corrida e estilo de pilotagem se tornam bem diferentes do que estamos acostumados.

Chrys Miranda, o primeiro piloto brasileiro a competir em Flat Track nos EUA, explica a diferença: “A grande diferença é correr no indoor. E a barreira a se quebrar é confiar no equipamento. Fui no box ajustar a frente e perguntei se podia confiar nos pneus. O time garantiu que eu poderia, que a calibragem estava certa e iria grudar. Você deita a moto completamente, a primária raspando no chão, tenta ficar o mais em pé possível e a moto não sai!”.

Chrys continua explicando as diferenças também no equipamento: “Não podemos usar sapatilha de ferro e nem de borracha. Então, pegamos carpete de casa, cortamos e colocamos em volta da bota. O carpete não vai grudar e vai fazer a mesma função do slider. Se você colocar a sapatilha de ferro, na hora que colocar o pé no chão vai raspar o xarope e aí o risco de escorregar aumenta muito”. Veja a conversa com Chrys Miranda sobre o Flat Out Friday:

Outro fator marcante no estilo de pilotagem indoor é a utilização do freio. Ao contrário de como se faz na terra, com o uso do freio traseiro para deslizar a moto na curva, na pista com xarope não se utiliza essa técnica. A aderência é tamanha que não precisa de nenhum freio na curva. Apenas, de vez em quando, freia-se na saída da curva para ajustar a velocidade, mas quanto menos precisar utilizá-lo tanto melhor. Lembrando que, em qualquer competição de Flat Track, não é permitido usar o freio dianteiro.

Fora o estilo de pilotagem, também existem pequenas diferenças na moto. Primeiramente, a suspensão tem que ser bem mais dura, pois o terreno não é irregular como a terra. Além disso, serve para deixar a moto mais alta. Como o piloto deita muito nas curvas, a ponto de raspar a primária no chão, quanto mais alta a moto maior será a capacidade de inclinação na curva. Também existe uma diferença no pneu, que será o mais macio possível para uma aderência ainda maior na superfície coberta por xarope.

A modalidade de Flat Track por si mesma já é uma corrida muito dinâmica, com os pilotos competindo o tempo inteiro por posições. Para melhorar ainda mais, a pista do Flat Out Friday tem uma extensão de apenas de 100m, praticamente sem retas. Portanto, a disputa fica muito acirrada, sendo praticamente um caos organizado. Sem dúvida, é uma corrida que traz emoção do começo ao fim e os mais de 10 mil espectadores na arena não podem tirar o olho da pista por um segundo. Prach já disse algumas vezes que vive para organizar eventos de alto estresse – e o Flat Out Friday se encaixa à perfeição.

“Se ficar olhando a proximidade, ninguém corre! Você pensa que vai morrer, já que está tudo ali pronto para ocorrer uma carnificina. Eles pegam uma pista do tamanho da do Kalango e colocam, às vezes, 9 motos. Como comparação, no Kalango fazemos a bateria com 3”, explica Chrys. “Mas um está sempre preocupado com o outro, mesmo a gente querendo andar na frente. Acaba sendo uma corrida de cavalheiro”, comenta Chrys.

Outro atrativo do Flat Out Friday é a diversidade de categorias, entre as quais:

  • Open Hooligan – motos fabricadas depois de 1986 e acima de 750cc. Idade mínima de 18 anos.
  • AA – motos acima de 150cc com rodas de aro 19 e pilotos amadores ou profissionais com no mínimo 14 anos.
  • Women’s Hooligan – motos fabricadas depois de 1986 e acima de 750cc. Mulheres com idade mínima de 18 anos.
  • Open Women’s – moto acima de 250cc. Mulheres com idade mínima de 12 anos (250cc) ou 14 anos (450cc).
  • 749 Twin – motos com, no máximo, 749cc, roda de 19” e pilotos com idade mínima de 18 anos.
  • Open 50cc – motos de 50cc para crianças de 4 a 8 anos.
  • Vintage – motos fabricantes antes de 1981. Idade mínima de 16 anos.
  • Brakeless – motos fabricadas após 1983 e sem nenhum freio. Idade mínima de 18 anos.
  • Goofball – aqui a criatividade da moto é o limite! Mas é obrigatório o uso de uma fantasia. Ou seja, a diversão é muito importante!

Há sempre uma categoria para qualquer piloto que quiser correr e idade não é problema. Existem participantes até de 79 anos! Devido ao grande número de entusiastas que o esporte atraiu nos últimos anos e também à volta à competição da velha guarda, o Flat Out Friday conta com uma gama de experiência gigantesca. Mais um fator para agregar diversão e entretenimento ao evento.

Se alguém se perguntou como ocorreu o convite para o Chrys participar do evento, a resposta é bem típica dos nossos tempos. Foi por meio de uma hashtag no Instagram que tudo aconteceu. “Um dia, fiz uma brincadeira e postei com a hashtag deles ‘hoje não é sexta, mas aqui vai, Flat Out Friday’, já que fomos treinar em uma quinta. Nisso, o Jeremy entrou em contato comigo dizendo que adorava o Brasil, perguntando como eles poderiam chegar aqui e o que estava rolando na cena de Flat Track brasileira. Expliquei que aqui já estava rolando faz um certo tempo e que neste ano teríamos seis corridas. Ele me respondeu me convidando para correr no evento dele e dizendo até que conseguiria uma moto pra mim, caso eu tivesse disponibilidade. Eu respondi perguntando que dia era para estar lá”, relembra Chrys. Veja o vídeo na íntegra de Chrys Miranda falando sobre o convite de Jeremy Prach:

Assim, virtualmente, materializou-se a ida do primeiro piloto brasileiro ao Flat Out Friday, no ano de 2019. Depois da primeira experiência positiva, neste ano, ele conseguiu a disponibilidade de 8 motos. Os pilotos brasileiros vão correr com máquinas emprestadas pois fica inviável levar as motos daqui. O Flat Out Friday, que começa no dia 13 de março, em Wisconsin, normalmente tem transmissão ao vivo pelo perfil da Harley Davidson no Facebook (https://www.facebook.com/harley-davidson/).  Fiquem atentos ao nosso perfil no Instagram (@bikerslifebr) para mais informações!

Neste ano, além do Chrys (@garagemetallica), irão representar o Brasil Marcelo Silvério (@marcelosilverio_7), campeão nacional de Flat Track, Pedro Chernicharo (@pedro_chernicharo_212), Celio Dobrucki (@celiodobrucki), Rafael Oregana (@rafaeloregana_82), Henrique Zampieri (@henriquezampieri14), Basile (@basileguega), Jhony Brutal (@jhonybrutal) e Bruna Wladyka (@brunawladyka), que será a primeira pilota brasileira de Flat Track a competir no exterior e vai à pista com uma moto Royal Enfield. A marca vem crescendo bastante no cenário de Flat Track internacional. Neste ano, teremos uma categoria no campeonato nacional para a Royal Enfield e em breve traremos ainda mais novidades sobre esta participação!

Liga Brasileira de Flat Track – Mas uma novidade:

Com a ida da equipe de Brasileiros ao Flat Out Friday, viu-se a necessidade de oficializar a criação da Liga brasileira de Flat Track (@flattrackbr). Encabeçada pelos organizadores do Lucky Friends Rodeo (@Luckyfriendsrodeo) Flavio Sieber Luz e Marcelo Creck, do BMS (@bms_motorcycle) Cezinha Mocelin e do Time Garage Metallica (@timegmflattrack) Chrys Miranda a organização tem o intuito de regulamentar a modalidade como um todo. Incluindo o calendário, regras, participação de montadoras, entre outros.

Veja aqui o relato do Biker’s Life sobre e o BMS 2019 onde aconteceu a Semi Final da Liga Brasileira de Flat Track em 2019

Veja aqui o relato do Biker’s Life sobre e o Rodeo 2019 onde aconteceu a Final da Liga Brasileira de Flat Track em 2019

Quem já teve a oportunidade de assistir a uma competição de Flat Track ao vivo sabe que é um esporte em que não falta entretenimento. Você assiste a tudo de muito perto e a interação é o principal atrativo. Se não conseguiu ir a uma etapa em 2019, fique ligado no calendário oficial da Liga Brasileira! Não deixe de acompanhar e divulgar para seus amigos, pois, assim, podemos fortalecer cada vez mais o Flat Track brasileiro. Em breve teremos muito mais novidades sobre a Liga Brasileira de Flat Track aqui no Biker’s Life!

Veja a conversa com o Chrys Miranda sobre o fuuro do Flat Track no Brasil:

Veja algumas imagens do Flat Track no Brasil em 2019. Este ano de 2020 promete ainda mais!

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